Crowdfunding Mohandas

A banda Mohandas vem se destacando no cenário musical do Rio de Janeiro desde o primeiro CD chamado Etnopop. Desde então nos brindam com belas músicas e shows cheios de energia. A rapaziada está trabalhando em um novo disco de inéditas e lançaram uma campanha irada de crowdfunding pra ajudar a realizar mais esse sonho. A campanha está na reta final mas ainda podemos fazer a nossa parte ajudando esse projeto lindo. Nós batemos um papo com Dudu Falcão, percussão e voz da banda, que você vai conferir, na íntegra, abaixo:

Pra quem quiser conferir os caras no palco há uma boa oportunidade! Amanhã a partir das 19h no MAR (Museu de Arte do Rio) que fica na Praça Mauá. É um projeto do Circo Voador ocupando os pilotis do museu. O show é gratuito e os caras já vão estar mostrando o repertório novo, arranjos novos e figurino novo (que sempre é irado). Tudo isso junto com a Festa Tupiniquim!

ZN Entrevista – Tico Santa Cruz

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A ZN é mesmo um lugar especial. Tanto que o palco do Imperator – Centro Cultural João Nogueira foi escolhido pelo cantor e ativista Tico Santa Cruz para pedir a mulher em casamento no último show da banda por essa região tão mágica. Surpresa para Luciana Rocha e também para os fãs que vibraram muito com o fato inesperado. O pedido veio antes da música “Um Cara de Sorte” e arrancou suspiros das roqueiras românticas de plantão.

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Foto: Instagram: @lais.gf

Nossa editora Carol Rabello bateu um papo com ele sobre a ZN e os movimentos de resgate da nossa cultura, nossas ocupações de praça, coletivos e tudo mais. Tico ressaltou a importância desses movimentos para criar jovens protagonistas:

Acho que é fundamental. A cultura que modifica a sociedade. Na medida em que ela é valorizada nós fortalecemos um novo pensamento e quebramos um velho paradigma, dando para a juventude a oportunidade de serem protagonistas.

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Foto: Fabiano Albergaria

Sobre a cena rock and roll do RJ ele destacou a importância dos movimentos como #ACenaVive e Imperator Novo Rock mas deixou bem claro que o público deve fazer a parte dele que é comparecer aos shows e eventos:

Vejo a cena com muito otimismo. As bandas estão com vontade de fazer acontecer. A Cena Vive e o Imperator Novo Rock são movimentos importantes embora eles estejam no mesmo ciclo. É importante salientar que quanto mais pessoas envolvidas mais chance de dar certo. Também é importante que o público entenda e compareça para prestigiar as bandas.

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Foto: Fabiano Albergaria

Seguindo a tendência da banda eles acabaram de lançar na internet uma música nova, chamada “Melhor Plantar o Bem”, em parceria com o Cláudio Paradise. Uma mistura de rock e reggae bem legal. Santa Cruz ressalta que disco completo e físico não está nos planos no momento por ser uma maneira muito engessada de fazer música mas sempre libera o download das faixas novas pela rede:

A gente saiu da linha dessa linha engessada do mercado fonográfico de fazer discos… desde 2007 lançamos singles avulsos na internet pelos meios paralelos digitais e privilegiando a imprensa que não está relacionada à grande mídia e agora lançamos uma música que é uma mistura de reggae e rock chamada “Melhor Plantar o Bem”. Na medida em que a gente se sente à vontade vamos lançando na internet. Não precisa comprar. Pode baixar à vontade, ouvir no Deezer e lógico, ir aos nossos shows.

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Foto: Fabiano Albergaria

Ouça o novo som do Detonautas

ZN Entrevista – Orlando Zaccone

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A nossa comemoração de aniversário teve presenças ilustres, festas lindas e muita animação. Mas também teve espaço pra debate e conscientização com um tema muito importante: a redução da maioridade penal.

O delegado Orlando Zaccone foi um dos convidados para essa conversa que rolou Perto do Leão Etíope do Méier e o papo foi ótimo! Além de Orlando, também participaram Rosana Chagas e Adailton da Gambá, com seu projeto incrível dos “Guerreiros da Guia”. Nós aproveitamos a presença do delegado também pra trocar uma ideia e olha aí o resultado!

Primeiro, Zaccone falou sobre a auto estima do jovem e a importância do resgate cultural da Zona Norte:

Eu sou da ZN, nascido e criado na Tijuca. As pessoas costumam criticar a Tijuca como um bairro de Zona Norte que tem perfil de Zona Sul mas não é não. Frequentei muito o Grajaú, Méier – o Imperator que sempre foi uma referência em casas de show – e ver esse evento acontecendo hoje é uma grande satisfação porque eu acho que a cultura carioca é a cultura da Zona Norte, do subúrbio. A Zona Sul vai se apropriar do hip hop, do skate – que começou em Campo Grande -, de muitas coisas, pra depois incorporar. Então é aqui que está pulsando a cidade e nós temos que fazer com ela que continue a pulsar. Aliás, a cultura sempre pulsou aqui só que agora temos uma revitalização que faz com o que o morador da Zona Norte queira participar dessas atividades sem ter que sair pra Zona Sul ou Centro. Então de fato está havendo uma valorização maior dos jovens em relação ao que se é produzido aqui.

Sobre a questão de cultura versus criminalidade, Zaccone observou alguns pontos importantes:

Eu acho que a cultura pode ajudar a mudar o olhar que o restante da cidade tem da Zona Norte. A partir do momento que você ocupa os espaços públicos isso diminui o olhar criminalizador. O olhar criminalizador vem muito da questão das cidades terem espaços que não estão ocupados ou que na noite ficam ermos, então quando você ocupa esse espaço, esse olhar melhora. Eu não sei se por isso irão ocorrer menos crimes, mas o pânico moral em relação a esses crimes tende a diminuir porque esse lugar vai ser ocupado. Um exemplo clássico é a Barra da Tijuca, que é uma das regiões do RJ que tem um dos maiores índices de roubo a veículos, mas não existe um pânico moral em relação a esses roubos, porque a Barra tem uma ocupação com muito comércio, shoppings, atividades culturais. Quando você ocupa, você faz com o que o olhar sobre o fenômeno criminal seja diferenciado, não seja mais visto como um olhar para um grande perigo mas como ocorrência de um evento que é natural nos grandes centros. Você imaginar que no tamanho de uma cidade como o Rio de Janeiro não vai ter crime, é uma loucura, então nós temos que pensar em ter um relacionamento diferente com o fenômeno criminal.

Quer saber quem mais passou pelas nossas comemorações? Fica ligado por aqui que aos poucos vamos contar tudo o que aconteceu!

ZN Entrevista – Pedro Luís

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O projeto Verão nas Arenas terminou, mas fica a saudade dessa importante iniciativa de levar artistas para se apresentar a preços populares, levando arte e música boa para todos os cantos da cidade.

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Foto: Fabiano Albergaria

Fechando o projeto, a junção das sonoridades de Mahmundi e Pedro Luís ocuparam o palco da Arena Dicró, na Penha e, antes de entrar no palco, trocamos uma ideia com o músico tijucano, que relembrou sua infância ao falar sobre a música “Tempo de Menino”, trilha sonora do filme “Saens Peña”.

O mundo mudou bastante. Do meu tempo de menino pros dias de hoje, as crianças ficaram mais conectadas, com possibilidades virtuais. Hoje se desfruta muito menos do que se desfrutava, o que faz diferença na interação e no cuidado de um com o outro. As pessoas hoje em dia são mais isoladas  já desde pequenas. O novo tempo de menino está se forjando. Mas não temos que ser saudosistas. O mais importante é encontrar as possibilidades de respiração física, real, nesse tempo que estamos vivendo, em que o mundo está muito instável, existe medo de se estar na rua, insegurança. Depende das próprias pessoas fazerem este movimento de virada, criar esse novo tipo de convivência.

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Foto: Fabiano Albergaria

Sobre ser suburbano, Pedro Luís atribui esse crescimento na Zona Norte à grande versatilidade e criatividade de suas composições.

A Zona Norte influencia em grau muito grande porque na verdade a minha música tem muito a linguagem da rua, coisas que aprendi em casa e nos meios em que frequentei. Tem a ver com a minha infância, quando se tinha muita brincadeira de rua,  com muitos elementos importantes de linguagem e de informalidade que acabaram se tornando ingredientes da minha história como compositor.

O música já passou por diversas fases em sua carreira, com inúmeras composições cantadas por vozes célebres da música nacional e que acabaram se tornando o repertório do show. Em “Por Elas”, Pedro apresenta as principais criações gravadas por nomes como Roberta Sá, Marina Lima, Zélia Duncan, Adriana Calcanhotto, entre outras. Além dessas criações, também participou de projetos como “Pedro Luís e A Parede” e o “Monobloco”, em que experimentou uma mistura de sucesso entre marchinhas de carnaval, samba e funk.

Eu não tenho preconceito com linguagem nenhuma, musical ou de expressão. Muito pelo contrário, com o Monobloco já tive essa aproximação com o funk resgatando um pouco do que estava esquecido desde os anos 90. Fizemos um evento junto com a velha guarda do funk: Junior e Leonardo, Cidinho e Doca, a galera todas dos primeiros funks. Eu ainda tenho o LP do Rap Brasil, com todos os funks clássicos “O Endereço dos Bailes”, “O Rap da Felicidade” e vários dessa primeira leva. Então pra mim o funk sempre foi uma referência importante e depois com o Monobloco participamos desse movimento que foi inesquecível e importante pra tudo isso que está acontecendo hoje.

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Foto: Fabiano Albergaria

E sobre o show na Arena Dicró, Pedro era só alegria. Ele chegou cedo ao local, montou uma mesa de ping pong logo antes da passagem de som, se divertiu com o público e ficou encantado com o espaço. O cantor ressaltou a importância dos movimentos culturais na ZN, não só nas arenas, mas também nas ruas

Eu tive a oportunidade de tocar em diversas lonas da cidade com a PLAP e já era um respiro e uma tentativa de retomada dessas áreas, foi muito bom. Agora com as arenas que tem uma estrutura mais moderna, é mais legal ainda ver projetos como esse sendo promovidos a preços simbólicos para o público. Isso tudo é muito importante nesse projeto de reativar possibilidades em lugares que são menos favorecidos por questões históricas mas que ao mesmo tempo favorecidos com a benção da criação há muitos anos. Toda essa movimentação é fundamental e as pessoas tem que ficar ligadas e participar, a iniciativa privada tem que promover isso porque também ajuda na auto estima do cidadão para que ele se sinta atuante e ativo, já que é ele que vai mudar esse quadro “doido” que tá aí!

Que venham mais shows e projetos como esse!

ZN Entrevista – Lenine

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Na última quarta-feira tivemos o prazer de assistir Lenine em mais uma edição do Verão nas Arenas, desta vez ocupando o palco da Arena Dicró, na Penha. O show mais intimista, que trouxe o artista em apresentação voz e violão, contou com a animação do público para acompanhar com palmas e gritos emocionados a presença do artista.

Antes do show, o cantor recebeu a imprensa e contou um pouco de sua trajetória em mais de 30 anos de carreira e a participação no incrível projeto das arenas.

Tocar no RJ é tocar em casa. Estou aqui há trinta e tantos anos, criei dois filhos e diferentemente de quem nasce no Rio pra quem o escolhe, é bacana porque a cidade exerce toda uma sensualidade, então eu conheço mais o Rio do que a minha mulher que é nascida aqui. Eu sei das dimensões desse Rio, porque eu já frequento elas, e agora com o projeto da Arena é muito bacana porque tem um investimento, a ponto de dar estrutura sem sucatear o que você faz, podendo levar o seu trabalho a vários lugares, além do que, o fato de ser subsidiado. Isso é maravilhoso, porque dá oportunidade real para quem assiste, que não teria como pagar o preço real de quanto custa o ingresso. Esse incentivo faz parte de uma vertente da educação, por outro lado para nós artistas, é uma oportunidade de mensurar como a música da gente chega em outros nichos que a gente só intui. Meu elo se dá com o público quando eu toco.

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Foto: Fabiano Albergaria

Sobre a relação com os espaço populares e ocupação das ruas, Lenine relembra o início do “Suvaco de Cristo” e reafirma a alegria de fazer parte do carnaval carioca

Eu me sinto com uma certa paternidade com o carnaval de rua do Rio. Eu sou da época do Suvaco, do Simpatia… aquilo eram os primórdios. Não existia carnaval de rua no Rio de Janeiro e hoje você vê esses eventos, isso tudo é uma nova maneira de celebrar a rua do Rio.

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Foto: Fabiano Albergaria

O músico encerra o papo com uma declaração apaixonada sobre sua profissão, que é uma extensão de seu ser afirmando

Música é minha religião, a minha igreja. Eu ritualizei o que eu faço a ponto de ser a minha espiritualidade. Quando eu subo no palco agradeço ao deus da intuição por conseguir captar a alma de algumas pessoas naquele momento. A música tem essa ferramenta, a hora do clique… eu vivo perseguindo esse clique porque aí não precisa de palavra, eu consigo tocar a alma de cada um e é isso que eu busco.

E alguém duvida que ele consiga?

O vídeo completo da entrevista você confere em breve no canal dos nossos parceiros do Subsolo. E hoje tem mais! Hoje a Arena Jovelina Pérola Negra, na Pavuna, recebe Mahmundi e Pedro Luís, show que também chega à Arena Dicró na próxima semana. Fique ligado por aqui para saber a programação completa na nossa agenda cultural!