Banda Gente é potência, voz, periferia e a mulher negra

Banda Gente divulgação 1 - Fotos Cerutti Dias

Banda Gente é potência, voz, periferia e a mulher negra

Banda Gente divulgação 1 - Fotos Cerutti Dias

Foto: Cerutti Dias

Os shows de lançamento acontecem dia 11 de novembro na Lona Cultural de Anchieta e dia 12 na Pça dos Direitos Humanos, em Nova Iguaçu

Confesso que respiro mais aliviado depois de ouvir na íntegra o primeiro álbum da Banda Gente. Não por ser um álbum fácil... não. Pelo contrário, é denso porque assim há de ser por tratar de temas tão fortes e tão urgentes como a realidade periférica, suburbana, favelada e dos negros e negras dessa cidade que se diz maravilhosa, mas A GENTE pergunta: maravilhosa pra quem?

Se reclamar eu atiro, se reclamar eu juro, se reclamar eu retiro todos os seu direitos #SomostodosSilvas 

Respiro aliviado por ouvir uma banda de rock tão boa, tão brasileira com suas misturas de ritmos com doses de samba, baião e outras influências regionais. Além disso, letras contundentes.

Repara que a interpretação depende do seu lugar #SomostodosSilvas 

E que voz! Iolly Amancio, vocalista e uma das líderes do grupo tem uma potência sensacional pro Rock and Roll mas canta samba, forró e fala poemas com uma verdade absurda. O instrumental é muito bem executado pela banda da qual fazem parte seu marido Wallace Cruz e seu irmão mais novo, Nico Souza. 

O lançamento

E quase dois anos após o lançamento do primeiro EP intitulado “O Rock está no Ar”, em 2015, a Banda Gente lança seu primeiro álbum nos próximos dias 11 e 12 de novembro. Sábado a apresentação é a partir das 18h na Lona Cultural Carlos Zéfiro, em Anchieta, a preços populares e o show de domingo acontece de graça, na Praça dos Direitos Humanos, no Centro de Nova Iguaçu a partir das 17h .

A Lona Cultural Carlos Zéfiro fica na Estrada Marechal Alencastro, 4113 - Anchieta. Ingressos promocionais antecipados a R$10 e na hora a R$20. Ingressos disponíveis online no site da Ticket Mais ou nos postos de venda no Rio e na Baixada, Espaço 989 Artes (Tijuca) e Bar Virtude (Mesquita), respectivamente. Para outras informações: (21) 2148-0813. O projeto faz parte do Programa Territórios Culturais RJ/ Favela Criativa, da Secretaria de Estado de Cultura em parceria com a Light e a Agência Nacional de Energia Elétrica. 

#SomostodosSilvas

 

Em 2016 a banda participou do Concurso de bandas do Programa ZoaSom que colocou o single ''Rede'' (também presente neste trabalho) no primeiro lugar no Festival Talentos da Música Brasileira, na Lona de Jacarepaguá, abrindo as portas para o início da primeira gravação. O disco conta ainda com o auxílio luxuoso do poeta baiano Milsoul Santos, trazendo o poema de sua autoria na faixa homônima ''Pássaro Preto'', com a participação mais do que especial do cantor da banda (também baixadense) Gente Estranha no Jardim, Átila Bezerra, em''Vem e vê'', dos versos da poetisa Renata Abreu em ''Repara'', além da característica e já reconhecida vigorosa presença vocal de Iolly Amancio. Outros destaques também ficam a cargo da sonoridade ritmada da faixa de abertura ''Cólera'', além de ''Samba do Trem", e ''Silvas'' - canção que inspirou o título do trabalho e homenageia o sobrenome mais popular do Brasil. Um dos frutos deste álbum é, sem dúvida, a sua diversidade melódica. Rico em influências plurais e misturas inusitadas, o disco une o peso do rock à energia e sonoridade da música brasileira. Para quem quiser chegar ao show de lançamento cantando o CD do inicio ao fim, os músicos disponibilizam na internet o novo álbum nas plataformas: OneRpDeezerSpotifyI Tunes, SoundCloud, Google Play e YouTube.

Banda Gente divulgação 2 - Fotos Cerutti Dias

Foto: Cerutti Dias


O #SomostodosSilvas é feito de canções orgânicas, um prato que se come pelos ouvidos — dispara Iolly Amancio

Os músicos identificam a obra como riso e agonia, dor e poesia onde as 13 faixas revelam a mistura, que não se preocupa em ser rotulada de 'a' ou 'b', como uma das características do som de peso que se faz fora dos grandes centros. Sem deixar de trazer consigo questões que ainda assolam as áreas menos privilegiadas das metrópoles. 

Acredito que fazer com que nosso som circule pela cena do Rio, feito por músicos vindos da Baixada Fluminense; trazendo a frente da banda uma mulher negra levantando temas como racismo, desigualdade social e, ainda por cima, misturando rock com samba e ritmos regionais nordestinos sejam, também, uma forma de resistência cultural — conclui Iolly.

O Início

A Banda Gente surgiu em 2011, após um ano de frequentes encontros na casa do casal integrante e precursor do projeto, Wallace Cruz e Iolly Amancio, com seu irmão mais novo Nico Souza, juntamente com diversos amigos que frequentavam sua casa e, entre uma música e outra, falavam sobre suas inquietações. Aparecem a partir daí as primeiras composições autorais e, na sequência, a banda ajusta sua formação produzindo um som que carrega o orgulho de sua negritude e da luta que o ''cidadão comum'' enfrenta na rotina das mais diversas situações do seu cotidiano. Ao longo desses anos o grupo já se apresentou em diversos Centros Culturais como Donana (Belford Roxo), Lonas e Arenas Culturais, Saraus pelo Rio e na Baixada, Festivais de música e espaços como Teatro Odisseia, Teatro Ziembinski e Centro de Referência da Música Carioca.

Em Janeiro de 2017 passaram a integrar o Coletivo de Músicos #BXDnuncaserende que lançou, em parceria com a ONU, o projeto piloto 'Música para Avançar no Desenvolvimento Sustentável' e resultou em um sound book coletânea onde a música ''Rede'' representa a 'ODS 16' no Documentário, com o mesmo nome do coletivo, lançado pela ONU no Cine Odeon em maio deste mesmo ano. A produção tem rodado por diversas partes do mundo e exibida em países como: China, Bulgária e recentemente, no mês de outubro, passou pelo Chelsea Film Festival com a presença de Iolly representando a Baixada em Nova Iorque.

Serviço:
Lançamento álbum #SomostodosSilvas - Banda Gente
Data: 11 de Novembro (SÁB)

Horário: 18h

Local: Lona Cultural Carlos Zéfiro - Anchieta

End :: Estrada Marechal Alencastro, 4113

Data: 12 de Novembro (DOM)

Horário: 17h

Local: Praça dos Direitos Humanos - Nova Iguaçu
GRÁTIS

 

 

 

Debate na íntegra: O Estilo Vanguardista de David Bowie

Carol Rabello Debate Caixa Cultural David Bowie O Homem Que Caiu na Terra_ Foto Fabiano Albergaria-3

Debate na íntegra: O Estilo Vanguardista de David Bowie

Carol Rabello Debate Caixa Cultural David Bowie O Homem Que Caiu na Terra_ Foto Fabiano Albergaria-3

Foto: Fabiano Albergaria

É impossível falar sobre a obra artística de David Bowie sem destacá-lo também como um incontestável ícone de estilo. O assunto foi o fio condutor da conversa sobre o estilo vanguardista do artista. Na semana passada nossa editora Carol Rabello teve o prazer de participar do Ciclo de Ideias da mostra O Homem que Caiu na Terra no Debate: Estilo vanguardista de Bowie ao lado da pesquisadora Carol Althaller e o evento esgotou os lugares! Se você não conseguiu ir ou quer rever essa linda troca de ideias é só conferir o registro da Saraguina Filmes 

Debate: Estilo vanguardista de Bowie com a nossa editora Carol Rabello

O Homem que caiu na terra_Debate_Carol Rabello_Zona Norte Etc

Debate: Estilo vanguardista de Bowie com a nossa editora Carol Rabello

O Homem que caiu na terra_Debate_Carol Rabello_Zona Norte Etc

É impossível falar sobre a obra artística de David Bowie sem destacá-lo também como um incontestável ícone de estilo.

O assunto é o fio condutor da conversa sobre o estilo vanguardista de Bowie, que contará com a presença da nossa editora Carol Rabello e da pesquisadora e analista de tendências Carol Althaller.

No debate, vamos conhecer um pouco mais sobre a construção e a consolidação do estilo vanguardista de Bowie em suas diferentes fases - desde o trabalho de Klaus Nomi (um de seus figurinistas no início da carreira) - até as principais releituras e influências de sua estética nos trabalhos de artistas como, por exemplo, Lady Gaga, Madonna, Pixies, Marilyn Manson, Boy George, Groove Armada, Nirvana, Siouxsie and the Banshees, The Cure e tantos outros.

A atividade terá tradução simultânea em LIBRAS.

Toda a programação paralela à mostra de filmes é gratuita e os ingressos são distribuídos a partir de 1 hora antes de cada atividade. Os interessados podem obter certificados digitais de participação.

Lotação: 83 lugares.

Mais informações aqui

Você vê o editorial que o Zona Norte Etc criou especialmente para a mostra aqui.

Jeza da Pedra: “um périplo polifônico pelo desbunde passiva-não-pacífica da marginália carioca”

Jeza da Pedra_por_João _Pacca

Jeza da Pedra: “um périplo polifônico pelo desbunde passiva-não-pacífica da marginália carioca”

Jeza da Pedra_por_João _Pacca

Foto: João Pacca

No último verão, o músico Jeza da Pedra começou a chamar a atenção nas cenas de rap e funk carioca. Compositor dos hits Terrorista Viado e Celular (versão tecno-forró de Hotline Bling, de Drake), Jeza conquistou as festas LGBT e logo entraria no set das rádios comunitárias do Rio. Crescido no Morro da Pedreira, ele é o primeiro rapper abertamente gay surgido na cena do hip hop carioca. Neste mês, Jeza lança o seu primeiro EP, “Pagofunk Iluminati”, com show de lançamento no dia 01 de julho, no Espaço Éden, que fica na RuaSacadura Cabral, 109, no centro do RJ. (Mais informações aqui.)

Convidado por Rico Dalasam a fazer uma participação em seu último show no Circo Voador, ele também já dividiu o palco com artistas como Linn da Quebrada e Larissa Luz. Produzido por Jeza e Juan Peçanha, “Pagofunk Iluminati” é um retalho de ritmos periféricos com requintes de gambiarras sonoras.

No disco, Jeza se move pelas vielas do rap, samba, funk carioca e música eletrônica. Entremeado por citações de Silas Malafaia e Jorge Lafond declamando Fernando Pessoa, o álbum foi gestado nas horas vagas do semestre em que ele trabalhou como anfitrião de karaokê em Campos dos Goytacazes, norte fluminense.

Algumas faixas estavam pré-produzidas com outros parceiros, mas chegando em Campos conheci o produtor Juan Peçanha, que investiu na ideia do disco e deu um toque mais pop, mais sci-fi, nas perturbações que eu fazia com as músicas

Na definição do cantor, “Pagofunk Iluminati” é “um périplo polifônico pelo desbunde passiva-não-pacífica da marginália carioca”. Em suas letras, Jeza versa sobre suas andanças pela noite do Rio, narrando a si como um dândi periférico, espécie de mash-up de Oscar Wilde com Racionais MCs. Frequentador de rodas de rima e bailes da Baixada, Jeza se vale de sua poética bem-humorada para criticar a gentrificação na capital carioca: "Shitaki emancipado/ mais mídia que a Ivete/ com noiz tu não se mete/ tu gourmetiza o meu croquete/ sai que tu é mó bad/ mais Jiban q a UPP”, ele ironiza, no rap-funk Sai que tu é mó bad.

Na faixa "Cuida Noiz", após a introdução da ativista transexual Indianara Sophia, ele sampleia trechos bíblicos para denunciar: “Fariseus, falsos profetas e lobos vendem essa babaquice de ideologia do gênero em de vez apregoar amai uns aos outros”. Nascido em família neopentecostal e alfabetizado com os versos do Pentateuco, Jeza evoca também suas raízes na diáspora africana na música "Rolê de Ogum". O nome de Jeza se confunde com o título do seu principal hit, “Terrorista viado”. A vida do músico, digna de um grande personagem literário, oferece elementos para compreender a origem da composição. Com passagens pela carceragem da Polinter e pela Sorbonne, ex-michê de sauna, ex-concierge de hotel cinco estrelas, ex-vendedor de picolé, Jeza divaga com propriedade sobre o que é ser um “terrorista viado” em tempos de ascensão conservadora:

Ser terrorista viado é ter o corpo fechado contra toda sorte de normativice. É não se conformar com a bolsada de lixo homofóbica no pátio da escola. É sair do armário do telemarketing. É fazer um feat. de Jesus de Nazaré com tambores de candomblé. É ser mais passiva que o agressor.

Música e literatura marcaram a formação de Jeza, e sem preconceitos formais. Poeta editado em zines do Rio e de Santa Catarina, ele é autor publicado também na revista de arte erótica Nin. O show na Casa Éden contará com a direção musical de Eduardo Santana (Afrojazz) e Cairê Rego (Baleia). 

Ouça aqui o EP completo “Pagofunk Iluminati”:

Projeto Música Encantada Está Com Inscrições Abertas

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Projeto Música Encantada Está Com Inscrições Abertas

Com sede na Pavuna o Projeto Música Encantada oferece aulas de canto, violão, flauta, inglês e educação complementar

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Estão abertas as inscrições para o projeto Música Encantada, na Pavuna. Com o objetivo de promover inclusão por meio da música, o programa oferece aulas de violão, canto, musicalização através da flauta doce, educação complementar e inglês. Os interessados devem ter entre 7 e 17 anos e comparecer à sede do projeto acompanhado de responsável legal. Todas as aulas são gratuitas.

O Música Encantada é um projeto cultural gratuito de educação musical, onde crianças e adolescentes de uma das regiões com o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDHh) do Rio têm aulas de música e acompanhamento de psicólogos e assistentes sociais. Atualmente cerca de 120 crianças e jovens são atendidos pela iniciativa.

O programa foi desenvolvido a partir da iniciativa do músico Daniel Sant´Anna, que há 12 anos se propôs a dar aulas de violão a jovens da comunidade Terra Encantada. Os primeiros alunos contavam com apenas dois violões para o aprendizado, mas graças a doações, o programa passou a fornecer instrumentos para cada um dos atendidos. Dentro desta iniciativa, nasceu a Orquestra Violões Encantados, formada por alunos do projeto.

Música Encantada
Rua Orquídea, 01 - Comunidade Phídias Távora - Pavuna
(21) 3454-0251